domingo, 23 de dezembro de 2012

UMA CRÔNICA




Este foi um ano que muita coisa aconteceu. Grandes eventos, sejam eles para o bem ou para o mal. Tivemos baixas de grandes nomes, apesar da perda de nomes grandes, mas que não fará falta a humanidade.
Particularmente, não choro por pessoas como Hebe Camargo que tinha um horror tremendo a pobre, visto atitudes como o fato de mandar seus seguranças limparem seu automóvel de luxo porque uma senhora pobre e negra encostou-se nele. Sem contar com o movimento Cansei, de orientação direitista.
Mas fico triste por nomes que foram responsáveis por presentearem a humanidade de várias formas, com grandes descobertas, inovações e com sua história.
Um deles foi Oscar Niemeyer, grande arquiteto e comunista que inovou a arquitetura mundial, sem contar sua militância política, que entre erros e acertos, o saldo é positivo. Seu legado não está apenas em sua arquitetura, mas na fibra de uma história que junto com vários outros, enfrentou tempos sombrios de um terrorismo institucionalizado.
Outra figura importante, Eric Hobsbawn, historiador que procurou acima de tudo, compreender o seu próprio momento histórico. Deixa o legado de um verdadeiro historiador, que se faz comunicar com todos, principalmente com aqueles que estão fora do circulo hermético da academia, onde o conhecimento, da qual pertence a toda humanidade, é refém de uma cúpula de ilustrados, onde o a razão de ser da sapiência, se perde pelo vão dos egos inflados dos acadêmicos.
Mas acima de tudo, temos que Chorar pelas Marias, Joãos, Joanas, Chicos etc., e todos aqueles que de maneira injusta morrem em nossas periferias, vítimas da eugenia social perpetrada por um Estado facínora, assassino que em nome do sistema de capital e do lucro exacerbado, tem transformado a periferia negra e trabalhadora em seu laboratório de carnificina, criminalizando a pobreza, mantendo a ordem através do crime estatizado, onde assassinatos são apenas reverberações de uma lei que isenta o grande, e esmaga os pequenos.
Não há feliz natal enquanto houver pessoas que sem lar e sem terra, não podem usufruir de direitos mínimos para existência humana. Não há feliz ano novo com a reprodução do caos, da miséria e da exploração de milhares de trabalhadores que continuam a sustentar uma elite suja e genocida, patrocinadora dos afãs ideológicos perpetrados pelo conservadorismo.
Por isso digo que é cínico o desejo de boas festas, quando apenas sentamos em nossas mesas fartas e com isso esquecemos nossos camaradas lá fora - sim, o povo é nosso camarada, assim é a solidariedade comunista – sob o frio, a chuva o calor e acima de tudo, a exploração que está acima de qualquer limite dado pela dignidade humana.
Sejamos francos, em doze anos (ou onze se preferirem) de século XXI, a barbárie ainda assola a humanidade, a lógica bruta de exploração apenas mudou sua metodologia, mas não a sua crueldade. Se antes, os escravos eram alimentados pelo seu senhor, hoje, além da escravidão, tem que prover seu próprio alimento e moradia.
Por isso digo, parafraseando grandes lutadores, enquanto houver miséria e desigualdade, enquanto a exploração nos assolar, ser comunista é a nossa opção.


BOAS LUTAS!!

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