Talvez eu seja um dos poucos que não vem fazer um balanço
tão incrível do ano que se finda. Mesmo porque pretendo expor aqui minhas
razões. Não vou dizer que não teve coisas boas, mas pesando em uma balança, os
momentos ruins se sobressaíram, ainda que algumas coisas que permanecem ainda
são sumamente positivas (um exemplo que não perdi ninguém próximo), ainda que
em condições precárias de sobrevivência.
Em primeiro lugar se deve a minha própria natureza
rebelde, do contra, que diferentemente da maioria não concorda, não se satisfaz
e não vê essa maravilha de mundo que vivemos. Vejo pessoas cantando o ano de
2012 como se finalmente tivéssemos nos tornado a Xangri-Lá que “todos”
almejávamos. Ora, não sejamos impertinentes! O mundo está cada vez mais
violento, a miséria avança, assim como a concentração de riqueza, a injustiça
se torna cada vez mais soberana, e aceitamos isso com uma passividade
indescritível. Não me venha com votos de ANO NOVO EM UM SISTEMA CADUCO E
ARCAICO QUE PERMANECERÁ EM 2013.
Também devemos lembrar que é fácil reclamar o ano todo
das injustiças sem sequer levantar nossas bundas gordas, reclamar do mundo e
depois desejar boas festas. Talvez algumas pessoas devessem introduzir em seus
retos algo mais sólido, pois nem a coerência de permanecer na crítica tem. É o
mesmo fato que se alegrar por ter mesa farta durante as festas de fim de ano, e
depois viver a rotina de lutar para colocar o mínimo para sobreviver em seus
estômagos vazios. Sejamos francos, dificilmente sequer fazemos o mínimo para
nós mesmo, pois a nossa própria desgraça nos é tão confortável e as vezes,
familiar, que optamos pela inação. O que me deixa simplesmente frustrado é a
mutação que essas datas tão festejadas me causam, pois as pessoas dizem tirar o
melhor delas, depois de passar o ano inteiro sendo autores de maldades
hediondas contra seu próximo. Não adianta depois vindo vociferar contra mim,
achando que pequenos atos de mendigagem vá simplesmente apagar seus atos
egoístas perpetrados durante 360 dias no ano – lembrando que tiramos cinco dias
para alforriar nossas almas do vitupério da culpa.
Outra coisa que me incomodou nesse “fortuito” ano que se
vai, são nossas perdas. Ainda me dói saber de grandes nomes que nos deixaram.
Não falarei deles aqui, pois já os lamentei em outros textos. Mas também
lamento por aqueles que ainda não partiram para o além, que tornam nossa vida
um inferno. Esses parecem ser imortais, não importam as áreas que eles agem:
música, cinema, política, jornalismo e etc.. É um flagelo, e muito disso surgiu
em 2012... Oh céus! Oh vida! Oh destino!
Outra coisa que me chama a atenção é o vôo de
prosperidade, do tipo “se você lutar e trabalhar, prosperará em 2013!”. Ora
convenhamos, pouquíssimas pessoas prosperam com trabalho. Na verdade o trabalho
prospera outros, essa lógica do mérito é mentira. A maioria da população acorda
às 4h, encerra seu expediente às 17h. Esse tipo de trabalho não produz riqueza,
produzem ricos, exploradores, sanguessugas. Então não me venha com esse papinho
Pois sabemos que o sistema – sim, o sistema, onipresente, talvez não
onipotente, mas previdente daqueles que o ataca – não deixa dúvidas de sua
intenção; é o trabalho morto que suga o trabalho vivo, como dizia um certo
barbudo do século XIX, da qual diziam estar ultrapassado, mas que agora vêem
que estava ele certo.
Não podemos esquecer o nosso querido e prestativo
cristianismo. Oh sim, nossa lenda mor, um trator que costuma passar por cima de
direitos civis, devido sua santidade putrefata. Sim, nada mais encarna o
espírito de um final de ano do que o nascimento de um deus. Não é que consegue
extrair de nós o melhor? Mesmo que por apenas alguns dias. Lembrando que essa
tão vicejante religião, durante algumas semanas inspiram os homens de boa
vontade, mas durante o restante do ano,se preocupam em discursar o ódio contra minorias – que não são tão
minorias -, alegando a proteção da família, coibindo o diferente, mas
defendendo em seu próprio núcleo, monstruosidades como a pedofilia (que diga o
Papa).
Então encerro aqui minha jornada escrita em poucas
linhas, alguns me terão por sórdido, cínico, talvez tenha razão. Mas acho muito
mais cínico as pessoas desejarem feliz ano novo e votos de felicidade quando se
programam o ano inteiro para competir, destruir e odiar. Ainda mais com essas
festas que são a materialização da nossa hipocrisia, do nosso sadismo
desonesto, do cinismo covarde e da manutenção da escravidão sobre o outro.
Por isso reserve seu FELIZ 2013 para si mesmo e não venha
me incomodar com seu entusiasmo fútil.
Nenhum comentário:
Postar um comentário