sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

SUPLICA A APOLO





Oh grande Apolo, deus das artes, do que é belo, da poesia que não se declina aos vermes, do artífice que não sucumbe sua obra perante o comum.
Venho humilde a ti, deus da arte graciosa, clamar humildemente, ainda que os tempos modernos o tirem da memória coletiva, ainda assim, estais no meu coração como marca de ferro quente, cravada em carne e sangue.
Não te permitas que tua herança caia em mão gaitas, de seres boçais que não tem dom de sua graça manifestada. Que tratam tuas musas como simples prostitutas vandalizadas, e assim, corrompe o belo.
Assim digo que nestes tempos, agiotas da música e da poesia tem usurpado seus amados e seletos artífices, estão compurscar a tua natureza bela, esculpida por mão generosas e graciosas. A lira fora substituída por sons grotescos, até mesmo a guitarra, foi trocada por balbucios de músicas sacrílegas como o sertanejo atual.
Guardião do sol, deus de doces pensamentos, não te iras com o absurdo desses trogloditas? Até quando não penderá contra os bajuladores dessa pseudo arte carcomida e artificial. Até quando o teu sol da justiça permanecerá escuro ante a barbaridade da indústria? Até quando sofismas deteriorados irão manchar nossa alma. Quando esses falsos oráculos serão punidos pelas suas infâmias?
Ah Apolo! Em tempos nosso, de reprodução sistemática do que é antiestético, onde a tela luminosa de humanos de torpes dedos só faz o que doentio. Tempo de massas de intelecto aniquilado, onde vemos vermes glorificados e almas grandiosas sujeitadas ao silêncio e a obscuridade. Até quando os poetas deverão se manter no exílio? Até quando seremos vitimas de “luanisses”, “miscatrisses”, “clauletisses”?
Levanta-te oh deus, acordai em todo inconsciente. Em que plagas distantes estais para sua imóvel ação?
Ai! Então nos leve para o Hades, pois é melhor que a praga moderna da televisão, combustível da perdição, e da sujeição da razão.
Maldito é o nosso tempo!

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